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Sobre o Dia da Mentira

Quando eu terminar este post, o Dia da Mentira já terá passado. Não que tenha alguma relevância na vida das pessoas, sendo apenas uma desculpa para uma tirar onda com a outra e etc. Mesmo assim, muitas notícias do mundo cinematográfico que foram veiculadas neste dia atrapalharam a vida de alguns jornalistas quanto a veracidade das informações.

O fato é que em uma das notícias que eu li, eu quase fiz uma novena para que fosse mentira. Nunca torci tanto para algo ser falso. O site OFuxico me deliciou com a chamada: Madonna deve atuar na nova versão de 'Casablanca'. Passei mal. Primeiro por uma refilmagem de "Casablanca" ser praticamente um atentado aos clássicos hollywoodianos. Já até imagino a mordenidade tomando conta da película, um cineasta de segunda na direção e um de terceira no roteiro, com atores medíocres nos papéis que pertenceram ao saudoso Humphey Bogart (e seu cigarro inseparável) e da maravilhosa Ingrid Bergman.

A segunda e mais preocupante nóia que me tomou foi quanto a essa vontade da Madonna em fazer Isla (papel de Bergman no longa original). Não gosto da Madonna. Ela já passou, está uma anciã e só lança modinhas que piram a ala happy (if you know what I mean) nas baladas. Como atriz, ela é até uma ótima cantora. Na filmografia da criatura, filmes ridículos se misturam a "Evita", o melhorzinho, porém sacal e insuportável. Para quem não sabe, o papel de Eva Peron seria da espetacular Meryl Streep, mas Madonna mandou uma carta ao diretor argumentando porque seria melhor que a Meryl (tipo, oi? De onde ela é melhor do que a Meryl? De onde a Madonna é boa?).

Daí agora ela tem conversado com os assessores e informou ter interesse em protagonizar o remake (provavelmente ruim) de "Casablanca". Vamos por etapas. Madonna tem o quê, 100 anos? Ingrid tinha 27 em 1942, quando a versão original foi lançada nos cinemas. Nunca que um diretor de consciência mediana ia escolher uma anciã e sem talento para o papel. A não ser que, ao invés de uma refilmagem, fizessem algo que pendesse mais para o trash mesmo, tipo: alguns anos depois.. or something. Além disso, seria um ultraje traçar paralelos entre Ingrid e Madonna em um filme que é considerado por muitos o melhor de todos os tempos (ainda prefiro alguns outros, mas acho sim um dos melhores).

Então eu torço para que isso seja apenas uma Pegadinha do Malandro e que os estúdios responsáveis pela refilmagem desse clássico ponham a mão na consciência e não deixem que uma wanna-be-actress convença mais uma vez que é "perfeita" para o papel. Vai lá saber se ela já sofre com os esquecimentos da idade e sequer conseguiria decorar alguns diálogos a serem rodados.

Aos fãs de Madonna: fui revolucionário sim, justamente por estar indignado com essa possibilidade de ver essa pessoa protagonizando um dos meus filmes preferidos. Tudo que falei não foi por impulso, só foi aumentado. Então me economizem de críticas musicais, números de CD's vendidos, títulos de rainha do pop ou qualquer coisa do tipo. Não gosto dela e não será nenhum DinoFan que me fará mudar de idéia. Acho um absurdo e opino sim. E o blog é meu. Não gostou, alt F4.

Eu Sou a Lenda (2007)

Estava eu em mais uma sexta-feira de estréias no UCI e, após determinações, eu iria fazer a crítica de "Os Seis Signos da Luz", um filme de fantasia na linha de "Harry Potter". Entretanto, às 16h30 subo eu para a sessão e adivinhem! Foi cancelada. Assim, sem mais nem menos, porque não haviam testado a película antes para ver se estava ok, e o filme foi cancelado naquele dia justamente porque nem eles sabiam se o problema era na cópia ou no projetor. Diego se estressa um pouco, não pela vontade de ver o filme, mas porque o CCR ia ficar sem crítica dele.

De qualquer forma, a moça super simpática (nessas horas todo mundo fica simpático e atencioso com o cliente) pergunta se teria outro filme que eu queria ver. "É né?", eu respondo. Como duas amigas iam ver "Eu Sou a Lenda" de 16h50, troco para essa sessão. Lá fui eu assistir ao filme do Will Smith, que o fez até vir ao Brasil para ser um estouro em bilheteria. Beleza. Trailers ótimos, incluindo de "Speed Racer" (Susan Sarandon!! *grita*) e "Batman - O Cavaleiro das Trevas". Aí o filme começa. Ao meu lado, senta um pessoal que devia ser a primeira vez que ia ao cinema. Tiraram fotos e conversaram bastante. Ok.

O filme começa e eu até decido prestar mesmo atenção. Sou do tipo que quando planeja algo, gosta de fazer aquele algo. Se fica impossível de fazer, eu prefiro não fazer nada mais. Fico com uma vibe de insatisfação e inabilidade de substituir o que não foi feito. No caso, eu fui para ver o outro filme e teria ficado p* em estar vendo outro no lugar. Mas mesmo assim, pela badalação do filme eu fiquei receptivo.

"Eu Sou a Lenda" não é ruim, mas também não é isso tudo que estão dizendo. Sei lá, acho que faltou sal mesmo. Até o segundo ato do filme a maioria das coisas é interessante, mas depois ele se perde. Will Smith foi competente o bastante para segurar o filme todo nas costas e protagonizou cenas realmente perturbadoras (vide a primeira aparição dos vampiros). Mas e aí? O filme segue um caminho totalmente inútil. O personagem de Smith fica tão acessível ao público que o desfecho criado para ele fica sem noção e ainda é pseudo-sustentado pelo personagem de Alice Braga. Ela é talentosíssima, mas o roteiro a coloca em um papel pouco crível.

Outra: que vampiroszinhos sem futuro hein? Gente, por favor. Não é porque a computação gráfica está avançada que tudo deve ser feito com ela. Tecnologia ainda não é sinônimo de perfeição e seria muito mais adequado maquiar atores reais para ter um resultado melhor. Em contrapartida, vários efeitos e nuances que são adotados são eficazes, e a relação de Smith com a cadelinha Sam e o desgaste psicológico dele causado pela solidão são bem empregados. Pena que quando um roteiro não sabe como terminar uma história se apóie em estratégias desesperadoras.

Esse vai ser mais um filme que metade das pessoas vai gostar e a outra metade vai achar descartável. Não vá esperando muita coisa não! Ao fim da sessão, escutei um comentário vindo da poltrona da frente: "que merda, cara!" Pois é, cara!